domingo, 30 de maio de 2010

Trovoadas dentro de mim


Eu tenho medo e estou sozinha.
Eu escuto barulhos ocos vindo do céu, parece que Deus está arrastando os móveis, é mais ou menos assim.

Eu tenho medo e estou sozinha.
Todos estão muito ocupados com suas vidas vazias para tomarem conta de mim.

Eu tenho medo e ninguém por perto.
Ninguém para me dar a mão, o colo, cafuné, ninguém para enxugar de meu rosto as lágrimas quentes que rolam sem parar.

Dentro de mim chove a cinco anos, e eu ainda não tive a sorte de me afogar.

Tenho medo de perder minha vida. Apesar de falar tão mal dela todo o tempo. Tenho medo de ser perdida da vista de Deus, apesar de falar mal dele todo o tempo.

Estou chovendo, estou sozinha, e só comigo não consigo ficar, independência emocial é boa, até o ponto que você está bem e são, até o ponto que a chuva cai tranquila, com o simples propósito de molhar.

Quando as trovoadas dão o primeiro sinal nem dos livros eu me lembro, eu quero colo, eu quero abrigo, eu quero alguém nesse exato momento.

As pessoas acreditaram na minha independência e se foram, queria tanto que elas voltassem a me incomodar,
ouvindo caladas o meu triste choro, ouvindo a dor que não podem curar.

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