quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma estórinha.

Eles não entendem, não entendem, os burros não entendem como eu funciono.
Individualidades à parte, sou mulher, sou igual a qualquer outra mulher, e é disso que eu falo agora. Os burros, os homens burros, não esperam o tempo do crescimento para fazerem a colheita. Eles querem e querem agora.
Não demostram, pobres criaturas, a tão sábia e milagrosa paciência. Não. Eles nem sabem o que é isso.
Mulher é tão sonhadora, faz tantos planos em cima de vocês, vermes dessa terra, que só servem para estragar o, antes, tão perfeito fruto.
Mulher é isso. O fruto. A coisa preciosa, que deve ser observada, admirada, almejada e, agora sim, colhida.
Por serem demasiadas preciosas, exigem de vocês a paciência. Observe só o que acontece com a mulher "colhida", com a mulher que sedeu ao malfeitor antes da hora, está inútil e marcada para o resto da vida.

Desculpem a loucura e a sinceridade que uso hoje, mas eu resolvi falar.
Falar de um assunto feio o embaraçoso, vou falar da dor de ser mulher.

Observada, naquela esquina, ela sorri para ele. Os olhos não são bíblias, mas também estão cheios de mistérios, mistérios horripilantes e doces, uma mistura do verde com o castanho.

A carência, meu caro, nada mais é do que a prova viva da não admiração tão precisada. A carência é o câncer que nunca morre, dentro de uma mulher.

Ele se aproxima, sorri, oferece um café e pronto. Conversam e ele pergunta a ela quando vão se ver novamente. Seu coração bate forte. E agora José?!

Ela disfarça, mulher sempre disfarça a ridicularidade de um homem, e acaba dando o seu número para ele.

Inúmeras ligações ocorrem no período de 3 meses, e o animal, faminto, não aguenta mais esperar e começa com a sua única arma que cabe, precisamente, na carência daquela jovem: a chantagem:

- Mas você é tão linda, por quê não quer sair comigo? Sou muito feio, pode falar...
- Não, não é nada disso, é que...hoje tenho que estudar para uma prova de geografia.
- Pô, gata, estuda aqui em casa... hehehe, Não, sério...estuda mais tarde poxa. Vamos naquele cinema lá do centro, tá passando um filme maneiro.
- Vou pensar...
- Ah, se não quiser ir entenderei (?), mas eu queria muito sair com você. Você é muito linda e interessante.
- Obrigada...

Duas horas depois se encontram no cinema do centro. O cara levou todos os seus amigos com ele para dar a "nota".
A menina vestia uma blusa simples azul, uma calça jeans clara, e o cabelo estava preso para cima.

Ao chegar no lugar marcado e ver aquele monte de garotos, a menina se sente intimidada, para, e espera num canto, tímida, pela misericórdia do homem que a fez o convite.

Ele, depois de levar uns tapinhas nas costas dos amigos, se aproxima, a beija no rosto e entram no cinema.
O filme até que era bacana, se não fosse aquela mão boba entre suas coxas o tempo todo...
Na única cena de sexo, que durou uns trinta segundos, ela se sentia extremamente constrangida.

Depois de mais de uma hora e meia de tortura, ela viu finalmente as luzes se acendendo. Ufa!

Agracedeu, deu-lhe um beijo no rosto, e seguiu aquele corredor estreito em direção á saída do cinema. Chegando do lado de fora, surpresa: O vento quente se misturou com a frieza dos amigos do tal rapaz, que o esperavam, fielmente, do lado de fora.

Ela, constrangida, seguiu em frente sem nem respirar, enquanto eles gargalhavam alto e saudavam o amigo.

- Ele nunca mais ligou, ela ainda pensa.
Olhando tristemente para sua nota na prova de geografia...

Um comentário:

Robson Martins - O Analista (de Sistemas) disse...

Verdade, mesmo que não absoluta, mas uma pura verdade.

Infelizmente nós, seres humanos somos formado de joio e trigo.

As vezes impossível de ser identificado e as vezes identificados de forma errônea.

Quando digo seres humanos. Mal caratismo não é exclusivo do homem. Sou consciente e evito ser leviano. Acredito que entre "bug´s" algum "windows" há de funcionar mais próximo da perfeição.