
Há 5 anos atrás mudei de rua, mudei de bairro, mudei de endereço, mudei de país, mudei de vida.
Há exatamente 5 anos, 2 meses e 13 dias, eu mudei.
É incrível a capacidade de um ser humano suportar. É incrível como conseguimos deixar tudo o que vivemos no passado e começar denovo, dando sempre uma olhadinha pra trás, é claro.
Quando peguei aquele avião no aeroporto internacional Tom Jobim, trouxe na mala quase nada. Nunca havia saído do país, nunca havia deixado os meus amores na certeza de não voltar tão cedo. Ah, os meus amores!
Lembro dos desenhos do meus lençois, lembro do cheiro do pão da padaria ao lado da minha casa, das vinhetas das rádios que eu ouvia todos os dias, até da voz da mulher do carro do peixe, eu lembro.
Uma saudade saudável invade meu peito, e se aloja bem lá no fundo, sentá-se e eu sinto que ela não pretende mais sair. Faz morada.
Deixar o país é uma dor tão suportável. Uma dor saudável, a dor de não pertencer áquela vida, áquele bairro, áquele lençol, áquela casa do lado de uma padaria.
A angústia de deixar as festas mais badaladas, os pagodes mais gostosos, os bailes mais sinistros, o calor do Rio de Janeiro... é uma angústia de crescer, é uma angústia de rebeldia, de não se conformar. Uma angústia de teimar, de querer o melhor, de ousar fazer o diferente. Mas essa dor, esse fino incômodo, só sente mesmo quem abandona, quem sai da sua zona de conforto, e quem sente na pele a dor de deixar de vadiar.
Invadir outro país, para mim, está sendo uma surpresa eterna. É bom, porque há tanto o que descobrir do Brasil em mim mesma! Há coisas que precisam ser descobertas com a angústia, coisas tão suas, e você precisa abandonar a segurança dos seus lençois, da sua familia e de festas nacionais para descobrir.
Há um valor que mora dentro da casca do valor, se esconde. E quando você viaja, talvez ele estranhe não sei, mas ele sai. E uma gota desse valor tão escondido corresponde a mais de uma vida inteira de tão falados e mal entendidos VALORES. Quem sabe você não está entendendo nada, quem sabe estou falando loucuras agora, quem sabe é quem sai!
Então sai, sai daí, dessa cadeira, dessa sala, dessa casa, dessa rua, desse bairro, desse país.
Tente, pelo menos tente, ser uma pessoa emocionalmente independente. E tenho certeza de que me entenderá.
Ouse.
Algumas pessoas acham que é inveja, e me pergunto o porquê.
Porque é certo que você vai pra festas todos os fins de semanas, escola e passeios com os amigos(?), baladas e raves, curte praia, churrasco e cerveja o ano todo.
Mas enquanto você se perde em meio a corpos vazios e se entranha cada vez mais à procura de pessoas que confirmarão as suas mentiras, eu estou em meio a minha alma, estou em pleno contato com o meu coração e totalmente ciente de meus sentimentos.
O meu sumiço para todos os moradores do Gouveia e proximidades, tem sido o meu aparecimento para mim mesma. Enquanto você se diminue pensando ser maior, eu cresço em silêncio.
Mas crescer dói. Parar de vadiar dói. Deixar de ser dói.
Aquelas dores adolescência. Dor que vale à pena.
Nasci no Rio Janeiro, mas onde morrerei, só depende de mim!
Saudades do Meu Brasil, aprendendo cada dia mais o verdadeiro significado da palavra patriotismo.
Há exatamente 5 anos, 2 meses e 13 dias, eu mudei.
É incrível a capacidade de um ser humano suportar. É incrível como conseguimos deixar tudo o que vivemos no passado e começar denovo, dando sempre uma olhadinha pra trás, é claro.
Quando peguei aquele avião no aeroporto internacional Tom Jobim, trouxe na mala quase nada. Nunca havia saído do país, nunca havia deixado os meus amores na certeza de não voltar tão cedo. Ah, os meus amores!
Lembro dos desenhos do meus lençois, lembro do cheiro do pão da padaria ao lado da minha casa, das vinhetas das rádios que eu ouvia todos os dias, até da voz da mulher do carro do peixe, eu lembro.
Uma saudade saudável invade meu peito, e se aloja bem lá no fundo, sentá-se e eu sinto que ela não pretende mais sair. Faz morada.
Deixar o país é uma dor tão suportável. Uma dor saudável, a dor de não pertencer áquela vida, áquele bairro, áquele lençol, áquela casa do lado de uma padaria.
A angústia de deixar as festas mais badaladas, os pagodes mais gostosos, os bailes mais sinistros, o calor do Rio de Janeiro... é uma angústia de crescer, é uma angústia de rebeldia, de não se conformar. Uma angústia de teimar, de querer o melhor, de ousar fazer o diferente. Mas essa dor, esse fino incômodo, só sente mesmo quem abandona, quem sai da sua zona de conforto, e quem sente na pele a dor de deixar de vadiar.
Invadir outro país, para mim, está sendo uma surpresa eterna. É bom, porque há tanto o que descobrir do Brasil em mim mesma! Há coisas que precisam ser descobertas com a angústia, coisas tão suas, e você precisa abandonar a segurança dos seus lençois, da sua familia e de festas nacionais para descobrir.
Há um valor que mora dentro da casca do valor, se esconde. E quando você viaja, talvez ele estranhe não sei, mas ele sai. E uma gota desse valor tão escondido corresponde a mais de uma vida inteira de tão falados e mal entendidos VALORES. Quem sabe você não está entendendo nada, quem sabe estou falando loucuras agora, quem sabe é quem sai!
Então sai, sai daí, dessa cadeira, dessa sala, dessa casa, dessa rua, desse bairro, desse país.
Tente, pelo menos tente, ser uma pessoa emocionalmente independente. E tenho certeza de que me entenderá.
Ouse.
Algumas pessoas acham que é inveja, e me pergunto o porquê.
Porque é certo que você vai pra festas todos os fins de semanas, escola e passeios com os amigos(?), baladas e raves, curte praia, churrasco e cerveja o ano todo.
Mas enquanto você se perde em meio a corpos vazios e se entranha cada vez mais à procura de pessoas que confirmarão as suas mentiras, eu estou em meio a minha alma, estou em pleno contato com o meu coração e totalmente ciente de meus sentimentos.
O meu sumiço para todos os moradores do Gouveia e proximidades, tem sido o meu aparecimento para mim mesma. Enquanto você se diminue pensando ser maior, eu cresço em silêncio.
Mas crescer dói. Parar de vadiar dói. Deixar de ser dói.
Aquelas dores adolescência. Dor que vale à pena.
Nasci no Rio Janeiro, mas onde morrerei, só depende de mim!
Saudades do Meu Brasil, aprendendo cada dia mais o verdadeiro significado da palavra patriotismo.
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