Eu não sei o que escrever, eu não sei escrever.
Eu quero ser uma boa escritora que têm irmãos na dor, mas eu não sei como se faz isso.
Eu quero desabafar. Mas as vezes a preguiça é maior do que essa vontade de descarregar emoções pelos dedos.
Eu sei que eu não sou uma má pessoa sem ser ter motivos pra ser uma má pessoa, estou descobrindo minhas qualidades dia após dia no defeito alheio.
Um fio de cabelo, foi isso que eu achei ainda agora pendurado na garrafa d'àgua que mataria minha sede de te ligar. Depois de tudo que eu fiz, depois de tudo o que passamos, e enfrentamos e sofremos...
Eu não sou boba. Eu tenho um radar pra mentira muito apurado.
Você dorme. E ultimamente tem exalado ao meu lado o cheiro de suas ações. Eu suporto tudo quieta. Tenho medo de você, e tenho mais medo ainda de mim.
Não voltamos. Eu não preciso lavar mais as suas roupas, eu não preciso mais disfarçar tesão pra te dar prazer e me trancar no banheiro depois. Eu não preciso mais de você, eu não sou tão só assim. Sou um ser tão capaz de perdoar outros seres, sou um ser capaz de entender a dor alheia sem ironias, não acumulo munição para futuras brigas. Eu sou sincera, e você sabe disso, e você tem, no fundo, uma inveja disso, uma inveja dessa minha coragem de dar o coração à tapa por uma criatura tão suja interiormente como você. E é isso que você não suporta. Você bem sabe do mal que me fez, e mesmo assim eu abri as portas pra você outra vez, eu te pedi perdão, eu te pedi amor, eu te pedi carinho, abrigo, pedi que provasse cada palavra que me disseste. E não obti nada. Esse texto, aliás esse blog, é a prova disso. Você não suporta mais nem conversar comigo. Você tem nojo da minha imagem sincera te julgando sem querer.
Eu sei, eu sei que você quer vingança. Eu sei muito bem.
Você alimenta seu ego nas mentiras convincentes que pensas que conta, e nas lágrimas que escorrem da descoberta delas, eu já percebi. Só que sexto sentido de mulher que ama de verdade é forte demais para enganos. A gente só finge que não sabe, a gente ora e pede à Deus para retirar essa benção que ele nos deu. E quando, no meio das longas madrugadas, todos os namorados mentirosos dormem tranquilamente, à gente chora o choro mais pesado do mundo, eliminando pelo espelho da alma cada grama do corpo que tanto prazer nos deu. E aos poucos estamos livres. Você sabia disso?
É, mas se por um acaso precisar de mim denovo, saiba que eu te ajudarei sempre que quiseres, tenho um coração bem maior do que o fio de cabelo da mulher que dormiu contigo naquele sábado.
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